segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Lobo e o passar do tempo..


O TEMPO fica: não é verdade que passe. Fica nas coisas para que um pouco de nós sobreviva à nossa desa­propriação. As casas decrépitas, os móveis antigos, têm uma alma composta de emanações do passado: conser­vam os séculos na sua argamassa e nas suas fibras; são acumuladores de tempo, de ternura, de afectos estratifi­cados que se volatilizam, que se nos oferecem quotidia­namente, sem que o percebamos, e transformando os tú­mulos da história em poesia taciturna.

5 comentários:

AGuardiaDoCastelo disse...

Isto é tocante.

MARIAN disse...

És simplesmente fantástico.
Gostaria um dia de ter o grande prazer de te conhecer pessoalmente.
Um beijo enorme para ti querido Lobo.

Estrela disse...

Hoje, assistia à uma novela e alguém disse:"O tempo não existe! Ele é simplesmente uma invenção da mente humana."
Eu concordo. Para a alma não há "o tempo"! Só há a vida e o espaço em que é vivida.

Mirian Martin disse...

É... o tempo não passa - ele fica. Fica nas linhas do nosso rosto, nos cabelos brancos, no peso das nossas pernas cansadas. Acho que gostaria que ele passasse. :))

Livinha disse...

São os ecos das formas, que não se enterra, permanece o vivo da história, os fios magneticos.
No desgaste das horas o material se evapora, mas os versos, tornam-se invólucros do tempo que não se apagam nas impressões da memória...

Obrigado pela visita a minha casa.
Gostei do texto.

Livinha