quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Feliz Natal


A todos vocês,
Amigos e Inimigos....

quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

A Filosofia do Lobo



Nunca deixes nas mãos dos teus amigos ou das tuas amantes armas que se possam voltar contra ti. Como a amizade e o amor têm de acabar, durante as tuas relações com o amigo ou com a amante, reune tu também provas da sua malícia e da sua desonestidade. Um dia, quando procurarem ferir-te, terás com que ferir. A mulher que abandonas ou que te abandona, torna-se tua inimiga; como todas as mulheres são fracas, mesmo as que não se fazem pagar, ela passará ao novo amante, entre duas noites, as confidências que tu, no maior segredo, entre uma noite e outra lhe tiveres feito.
E a mulher age assim de boa fé, porque é sempre o último homem o que ela julga digno do seu amor, o que julga amar. Se a interrogares sobre qualquer dos amantes que te precederam, ainda que por ele tenha tentado suicidar-se, responderá: «Não o amava. Julgava amá-lo.»
Nunca faças favores a ninguém. Lembra-te de que os favores se expiam. Se alguém te pedir a indicação de uma rua, dirige-o para o lado oposto; se te perguntar as horas, diz-lhe quarenta e cinco minutos menos, e com isso o farás perder o comboio.
Odeia o teu próximo como te amas a ti mesmo; e não esqueças que a vingança é uma admirável válvula de segurança para a nossa dor. Se alguém te ofende, não perdoes., Finge que perdoas, a fim de que a tua vingança o fira inesperada e em cheio.
Não te inflames por uma ideia. Os que se fazem matar por uma ideia são burros. Quem está verdadeiramente convencido da bondade da própria ideia, não gasta um centímetro cúbico de talento para demonstrá-la aos outros. Inteligente não é o que se faz matar por uma ideia, mas o que não lhe dá importância. Acredita-me: uma boa digestão vale mais que todas as ideias da humanidade.
Por outro lado, que são as ideias? Que há mais relativo que a ideia? O homem é um traidor ou um mártir, segundo se olha para ele de um lado ou outro da fronteira. A mulher é um «tesouro» quando está na cama do amante; mas se o marido entra, torna-se uma «prostituta».
Não te enamores nunca das palavras altissonantes. O belo gesto serve quase sempre para mascarar uma inferioridade ou uma incapacidade. Cornélia, mãe dos Gracos, à amiga que com faceirice lhe mostrava braceletes e colares, apresentou os próprios filhos, dizendo: «Aqui estão as minhas jóias.» Pois bem, se Cornélia, mãe dos Gracos, tivesse anéis e cadeias mais ricas do que as da amiga, não faria por certo o rodeio de mostrar-lhe os garotos.
A mãe espartana que sacrificava o filho à pátria devia ser uma rameira qualquer, que se queria libertar dele para mais comodamente desempenhar o seu ofício. A mãe que ama o filho, quer é que o filho se salve. Para mim é uma boa mãe, uma autêntica mãe, a que se preocupa com isso.
Durante as guerras, os que põem bandeiras nas janelas nem sempre são os que dão mais sangue ou dinheiro.

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

a Filosofia do Lobo - e o Ciúme


SUCEDE-NOS algumas vezes encontrar aquela que foi nossa amante por uma hora ou por um mês sem quase nos lembrarmos de haver ela participado connosco da solene cerimónia, a importantíssima cerimónia que devia automaticamente irromper em nossa memória. Aquele acto foi, então, de tão pouca importância? Em nós nada ficou, da sua carne, da sua electricidade, da sua respiração ofegante?! Nada! Apenas realizado aquele acto, recomeçamos a conversar, enquanto ela recompunha a «toilette» desfeita, sobre coisas estranhas e indiferentes. Aquela função não deixara portanto em nós um sabor mais forte que o deixado na boca por um cigarro, depois de o largarmos no cinzeiro. No entanto, se viéssemos a saber que a nossa amante em exercício, a amante de hoje, pertenceu, embora por cinco minutos, a outro homem, experimentaríamos, mesmo anos depois, uma dor intolerável. O acto a que ela se submetesse com outro afigurar-se-nos-ia uma contaminação indelével: como se o seu sangue se tornasse impuro, a sua carne adulterada irreparavelmente por aquele acto, por aquele mesmo acto de que quase não nos lembramos de haver praticado com a mulher que passa por nós, naquela rua.
O ciúme é uma febre que se origina em tola, infundada excitação do nosso cérebro irreflexivo. É um fenómeno de auto-sugestão.
A tua amante deitou-se numa cama em companhia de Ipsilon. Odeias Ipsilon e odeias a tua amante; tens sempre diante dos olhos a imagem da mulher e de ípsilon enlaçados, na prática do acto que é teu tormento imaginar.
Entretanto também tu, uma vez, enganaste a tua amante, para fazer, no leito da Sr.ª Z, o que ípsilon fez no leito da tua amante.
Pois bem, que ficou dessa Sr.ª Z, na tua pele, e na tua alma? Nada. Nada mais do que as carícias de Ipsilon podem ter deixado na pele da tua mulher.
Fenómeno auto-sugestivo, portanto. Queres uma prova? Se não vires aquele indivíduo, a tua imaginação o representará odioso, repugnante, repulsivo, e sentes que, se o encontrasses, o matarias.
Mas, se tiveres ocasião de lhe ver a fotografia, começarás a compreender que o podes olhar sem horror.
Se to apresentassem pessoalmente, acredita-me, ir-lhe-ias ao encontro com um cordial sorriso nos lábios, olhá-lo-ias de face sem estremecer, e se houvesses chegado ao meu grau de perfeição, serias também capaz de dar-lhe na barriga uma pancadinha jovial, dizendo-lhe: «É um belo rapaz! »
Com o raciocínio, com a educação, conseguiremos, em não remoto porvir, fazer os homens compreenderem o ilogismo dos ciúmes. Virá o dia em que as nossas graciosas crianças estarão preparadas para ser traídas e não sofrerão com isso, porque lhes aplicamos injecções de bom senso, vacinas anticornígenas.

O CIÚME é um fenómeno físico, glandular.

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

O LOBO e as mulheres que fumam...


O que noutros tempos era atrevido, agora é anacrónico, chato, provinciano, hipócrita. O que então parecia indecente, hoje é quase monacal. O valor das coisas depende do modo como se olha para elas. Recordo o barulho que houve em Londres por causa da primeira senhora que fumou em público. Queriam linchá-la. Agora quase todas fumam; e fazem bem: todas deviam fumar, que assim evitariam que os maridos suspeitassem do cheiro de outro homem nos seus lábios.

O que pensa o Lobo...claro..


terça-feira, 24 de Novembro de 2009

O LOBO e a QUIMICA do AMOR...


O AMOR é devido, não à forma, mas à substância:
o amor é atracção física, afinidade química de dois organismos. A beleza em nada influi. A juventude não influi em nada. O espírito, o talento, a elegância, a honestidade, a traição não têm a mínima parte no magnetismo animal que faz um corpo sentir a necessidade de se completar com outro. Quando um homem e uma mulher, tendo-se encontrado num ponto do espaço, experimentam a necessidade imperiosa (digo necessidade imperiosa e não desejo distraído) de se unirem, isso quer dizer que no corpo «daquela» mulher existe um substância, a matéria,o produto químico que, com implacável ânsia, procura a substância, a matéria encerrada no corpo «daquele» homem.
Nem de outro modo se explicaria o desejo de certas mulheres belas por homens que todos, a começar por elas, acham horríveis, nem de outro modo se explicaria o amor doido de certos homens por mulheres feias ou gastas.
O amor eterno, isto é, a inextricável urdidura de uma vida em torno de outra vida, é o produto do encontro de um corpo em cujos tecidos existem aqueles metais e metalóldes que têm afinidade química pelos metais e metalóides que têm afinidade quimica pelos metais e metaloides de um determinado corpo do sexo oposto.
(Esta expressão fará rir os farmacêuticos, mas eu não me importo)
Os homens e as mulheres que se amam com um amor assim tenaz. podem, é verdade, praticar infidelidades com relação uns aos outros. Mas a aventura não é o amor; a cópula ocasional deixa intacta a paixão constante. Pode-se amar desesperadamente um homem e ir humedecer os lençóis de outro. A aventura não é mais que uma espécie um pouco refinada de masturbação, depois da qual, ainda que os sentidos tenham ficado extenuados, permanece inalterada a paixão da mulher pelo indivíduo que emulsionou estavelmente a própria vida com a sua vida.

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

O LOBO e....a NOITE...


A noite é a altura em que as pessoas se transformam.Na noite há um tirar de máscara em que quase tudo é permitido…De dia trabalhamos dentro de uma capa, de um estatuto. À noite, saímos da cápsula que nos abriga dos olhares. Os olhares da noite são permitidos. De noite podemos conhecer alguém com um olhar. De dia, se olhamos para alguém na rua, parece pretensioso. Na noite as coisas acontecem a uma velocidade cruzeiro.De dia a luz permite ver demasiado, à noite conseguimos ver aquilo que queremos.A noite tem uma duração imprevisível. Pode acabar no início, pode acabar a meia temperatura, pode acabar quente, pode também acabar ao primeiro raio da aurora. Mas a noite também pode ser o começo de algo.Quando alguém sai para a noite, sai para passar um bom bocado, mas nem sabe o que lhe espera. Durante o dia, saímos de casa sempre com os mesmos objectivos. De dia usamos relógio, à noite é um acessório de moda.O relógio do dia controla a vida. A noite controla os relógios da vida.Se dormimos bem – bom dia.Se dormimos mal – mau dia.Se passamos uma noite – bom dia, boa noite.
Se por um lado, tiramos a capa do estatuto que temos (ou não), por outro, temos a lua que nos deixa ver ou mostrar aquilo que queremos, pois na noite as pessoas são diferentes. Na noite as pessoas são reais.Não é no trabalho que conhecemos as pessoas, não é na rua, não é nos transportes… Conhecemos alguém… sem rosto, sem lua, sem máscara… na noite…Durante a noite os olhos brilham o que não durante o dia.Conhecemos bem a noite? Pensamos que a dominamos… ela domina-nos de uma forma subtil.Deixamo-nos levar pela noite… dentro ou fora… quem escolhe?A lua aclara os traços reais de uma face, mas esconde as máscaras do dia a dia.A noite, conselheira dos maus dias… Ombro de descanso.A noite, carregador de baterias… Poço de energias…Noite, lugar das loucuras. Noite, lugar de várias temperaturas…

domingo, 22 de Novembro de 2009

A Lobo e ...a noite...


Na noite esvoaçam segredos que o dia mostra ao romper da aurora.
Traz cantos,encantos,segredos.
Ela traz amores,traz nos olhos,brilho de luar,histórias para contar,cantigas de adormecer!
A noite tem segredos,segredos dos amantes,dos errantes,dos bebados e dos loucos!
A noite tem segredos,dos anjos e de luzes...
A Escuridão!
A noite tem segredos dos que amam em silencio,dos que choram,dos que foram!

Eu também tenho segredos
Assim como a noite...
Segredos sepulcrais
Segredos de todos os amores do mundo...